Encontro Electra Energy debate desafios do setor elétrico

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A Electra Energy realizou, no dia 23 de outubro, o “Encontro Electra Energy – pequenos e médios produtores de energia”, em Curitiba. No evento, foram discutidos os principais desafios do setor elétrico brasileiro, com foco em perspectivas para o mercado, estruturação financeira de projetos e desafios específicos das diferentes fontes de energia. Confira os principais temas abordados nas palestras.

Claudio AlvesDiretor-presidente da Electra EnergyGSF, falta de lastro e inadimplência na pauta do setor em 2019O ano de 2019 promete desafios importantes para o setor elétrico brasileiro, incluindo o déficit de lastro de fontes incentivadas, a inadimplência no mercado e a falta de solução para o problema do GSF, na visão do diretor-presidente da Electra Energy, Claudio Alves. O executivo também apresentou projeções para o comportamento das tarifas de energia (que, em média, tendem a subir menos do que neste ano) e as condições de oferta e demanda, que apontam para uma situação de tranquilidade nos próximos quatro anos.Alves destacou ainda os desafios legislativos devidos à não-aprovação, neste ano, de legislação em favor da privatização da Eletrobrás e da reforma do setor elétrico, com desdobramentos importantes como a ampliação da abertura do mercado e a separação de lastro e demanda na contratação de energia. Por outro lado, avanços poderão ser observados em termos tecnológicos, com perspectivas positivas em relação ao armazenamento de energia (e suas possibilidades, diante da perspectiva de implantação do preço horário a partir de 2020) e desenvolvimento tecnológico na área de block chain, entre outros aspectos.
Edvaldo SantanaPresidente-executivo da AbraceSoluções políticas e ineficiências desafiam setor elétricoHá um descompasso entre o setor elétrico brasileiro e o resto do mundo. A avaliação é de Edvaldo Santana, presidente-executivo da Abrace, que vê com preocupação a prática de se buscarem soluções políticas para questões técnicas, vigente desde meados da década passada. “Essa fuga da discussão técnica prejudicou muito o setor”, disse. Como exemplo da prática, lembrou que, no lançamento do projeto de lei fruto da Consulta Pública 33, em um primeiro momento, as associações setoriais se comprometeram a não propor emendas para que o projeto tramitasse rapidamente no Congresso. O esforço foi em vão: no mesmo dia as entidades setoriais estavam reunidas para definir proposições ao PL 1.917/18, em defesa de interesses específicos. Em sua palestra, Santana também apontou com preocupação diversas ineficiências setoriais, que acabam resultando em custos cada vez maiores para os consumidores finais.

Leonardo Ritzmann LouresMembro do Comitê de investimentos da IntrepidFinanciamento da expansão passa pelo mercado livreO Brasil precisa investir cerca de R$ 8,7 trilhões em projetos de infraestrutura dos próximos 20 anos. O cenário se mostra desafiador para o cumprimento dessa meta, pelo menos no que diz respeito ao setor elétrico, devido à baixa taxa de poupança doméstica e ao fluxo insuficiente de capital estrangeiro. Dificuldades para o sistema financeiro tradicional atender a demanda e a redução da participação do crédito direcionado, financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), também preocupam. Na avaliação de Leonardo Ritzmann Loures, que é membro do Comitê de investimentos da Intrepid, a alternativa passa pela estruturação de recebíveis do mercado livre de energia e sua distribuição via mercado de capitais. Em palestra sobre o desafio de integrar os recursos disponíveis no setor elétrico para recompensar a flexibilidade e promover investimentos de longo prazo, o especialista demonstrou que as comercializadoras tendem a ter papel importante nessa equação, na medida que podem fazer a interlocução entre os empreendedores e o capital a ser investido.

Ricardo PigattoPresidente da AbragelDesafios para o futuro das PCHsA Consulta Pública 33 não foi um consenso no setor elétrico, foi feita intramuros. O alerta é do presidente da Abragel, Ricardo Pigatto, referindo-se em particular à proposta governamental de eliminar o desconto na tarifa-fio das pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Outra preocupação diz respeito à separação de lastro e energia. “Sem dúvida isso poderá ser bom para a fonte (PCH). Entretanto, a financiabilidade está só no lastro”, disse, destacando a necessidade de que haja um período de transição com contratação combinada das duas partes. Além disso, o executivo criticou o estudo do Instituto Escolhas e da PSR sobre a valoração dos atributos das diversas fontes de energia, apresentado na semana passada. “Esse estudo está com as premissas e resultados equivocados. Não tem cabimento comparar usina a gás natural com PCH”, disse.”
Sandro SaggioratoGerente de Risco de Mercado de Energia da Electra EnergyComo o sistema elétrico deve operar em 2019?Para o gerente de Risco de Mercado de Energia da Electra Energy, Sandro Saggiorato, a volatilidade que marcou o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) neste ano deve se repetir em 2019, com tendência de alta em particular no segundo semestre. Quanto às condições de operação do sistema, destacou a perspectiva de melhora na situação dos reservatórios do Nordeste (que devem terminar o período úmido com mais de 50% de armazenamento), a verificação do fenômeno climático El Niño de intensidade fraca a moderada (que pode ser prejudicial à ocorrência de chuvas que ajudam a encher os reservatório das usinas), e a disponibilidade do bloco de energia das novas usinas da região Norte, o que deve favorecer a redução do preço no primeiro semestre.O especialista também discutiu as melhores opções de sazonalização das usinas em 2019. Com base nos resultados verificados neste ano, mostrou que a alocação da geração em período de perspectiva de menor GSF poderia causar prejuízos para a operação. Por outro lado, a alocação para momentos de tendência de maior PLD teria resultados positivos. Ele alertou, no entanto, que tal análise depende das características específicas de cada empresa ou grupo econômico.Paulo ArbexPresidente da AbrapchMenos hidrelétricas, energia mais cara, mais emissões e meio ambiente mais deterioradoA explosão das tarifas verificadas nos últimos anos não se deu por acaso: deve-se principalmente à redução da participação das hidrelétricas na matriz elétrica brasileira de aproximadamente 85% até 2000, para em torno de 60% hoje. A avaliação é do presidente da Abrapch, Paulo Arbex. “Todos os países que investiram forte em fontes intermitentes (eólica e solar) tiveram energia mais cara”, disse. Ele lembrou ainda que, nos Estados Unidos e na Europa, essas fontes ajudam a reduzir as emissões porque ocuparam espaço de fontes fósseis (com emissões entre 469gCO2/MWh a 1.001gCO2/MWh, conforme dados do IPCC/ONU). No Brasil, provocaram aumento exponencial da participação das fósseis e das emissões porque ocuparam espaço das hidrelétricas, que emitem apenas 4gCO2/MWh. Além do aumento dos custos (a tarifa subiu 3x mais que a inflação), outra consequência foi o crescimento das emissões de gases de efeito estufa do setor elétrico de 700% nos últimos dez anos. Na sua opinião, a correção dos problemas do setor de PCHs depende fundamentalmente da contratação de um volume mínimo de 650 MW médios de PCHs em 2018 e um planejamento que permita atingir 1.100 MW/ano em 2-3 anos.

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