ONS faz balanço favorável da gestão do Sistema Interligado Nacional em 2025

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O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) faz uma avaliação positiva da gestão do Sistema Interligado Nacional (SIN) em 2025. Para o diretor-geral, Marcio Rea, esse foi um ano que trouxe avanços na segurança energética nacional com a conexão de Roraima ao sistema, possibilitada pela energização do Linhão Manaus–Boa Vista. A partir desta conexão, milhares de pessoas passaram a contar com um fornecimento de energia alinhado ao padrão nacional, além do fato de 100% dos estados brasileiros passarem a estar interligados, reforçando a missão do ONS de garantir para a sociedade o suprimento de energia no país. 

Entre os benefícios percebidos diariamente estão o controle de fluxo das linhas que atendem os estados do Amazonas e Roraima, com maior estabilidade, o que representa mais segurança energética e operacional. A interligação também reduz o uso de usinas térmicas e diminui a emissão de CO₂. 

Atualmente, o ONS opera cerca de 180 mil quilômetros de linhas de transmissão espalhadas por todo o território nacional, o suficiente para dar quatro voltas ao redor da Terra. A capacidade instalada é de cerca de 250 gigawatts (GW) e a projeção é chegar a cerca de 300 GW em 2030.

Pela 1ª vez, o ONS também mensurou e divulgou para a sociedade os resultados do projeto Valor Agregado. A iniciativa estimou uma economia de R$ 12,6 bilhões para a sociedade brasileira no período de um ano com as atividades relacionadas à gestão do SIN, promovidas pelo Operador. 

“Em 2025, avançamos em projetos que reforçaram o compromisso do ONS com uma operação cada vez mais moderna e antenada às evoluções e transformações pelas quais passa o setor elétrico no Brasil e no mundo. Entendemos esse atual momento de transição e estamos construindo, junto com os agentes, projetos que fortalecem esta rede de transmissão, que permanecerá tendo a sua capacidade ampliada, mas sem abrir mão da qualidade e da segurança na operação”, afirma o diretor-geral do ONS, Marcio Rea.

Esse compromisso com a inovação e a excelência operacional se refletiu também em iniciativas de reconhecimento. Na comemoração dos 27 anos do Operador, foi lançado o Prêmio ONS de Qualidade na Operação, que reuniu diversas empresas relevantes do setor elétrico. A iniciativa valorizou a atuação de transmissoras que se destacaram em performance operacional, estimulando boas práticas e melhorias permanentes, além de fomentar uma cultura de excelência, que se traduz no alto índice de eficiência no desempenho do SIN.  

GO15 e liderança brasileira entre operadores globais

Entre as conquistas de destaque de 2025, também está a escolha do diretor-geral do Operador, Marcio Rea, para os cargos de vice-presidente em 2026 e de presidente em 2027 do GO15, associação internacional que reúne os maiores operadores de sistemas elétricos do mundo. O Brasil terá uma posição de liderança entre os 16 operadores, responsáveis por atender mais de 60% da demanda global de eletricidade, que promovem a colaboração internacional bilateral e aperfeiçoamento de processos e no âmbito técnico. 

“Assuntos como a descentralização da geração, o avanço da digitalização e o impacto das tecnologias de armazenamento e inteligência artificial estão transformando a maneira como planejamos e operamos o sistema elétrico. É por isso que a troca de experiências é tão valiosa: ela nos prepara melhor para os desafios que já estão diante de nós”, afirmou Rea. 

Busca do Equilíbrio Estrutural: PEN 2025

O Operador apresentou ainda os resultados do Plano da Operação Energética (PEN 2025) – horizonte 2025-2029, que traz as avaliações das condições de atendimento ao mercado previsto de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional (SIN) para os próximos cinco anos. Entre os pontos relevantes está a indicação de necessidade de contratação de potência ao longo do horizonte do estudo em virtude da violação dos critérios de suprimento. Diante disso, foi recomendado ao poder concedente a organização de leilões anuais para contratação de recursos para aumento da oferta desse atributo de potência, buscando o equacionamento do equilíbrio estrutural.

O PEN 2025 prevê que a demanda máxima instantânea do SIN crescerá em média 3,8% ao ano, passando de 108 GW em 2025 para 125 GW em 2029. A oferta terá forte participação das fontes solar fotovoltaica e MMGD, que juntas devem representar cerca de 33% da capacidade instalada ao final de 2029. Como essa expansão não atende à ponta de carga noturna, será necessário reforçar os requisitos de potência do SIN. O PEN 2025 recomenda ações para ampliar a flexibilidade operativa provida pelo parque gerador aos requisitos sistêmicos projetados para os próximos anos, além de identificar a necessidade de avanços em ferramentas computacionais para avaliar a capacidade do sistema de suportar esses requisitos.  

Avanços do PAR/PEL 2025

Antes de encerrar o ano, o ONS também apresentou os resultados do Plano da Operação Elétrica de Médio Prazo do Sistema Interligado Nacional (PAR/PEL 2025), que avalia a operação do sistema no horizonte de 2026 a 2030. O plano indica investimentos totais estimados em R$ 28,1 bilhões, dos quais R$ 22,7 bilhões correspondem a novos empreendimentos, voltados ao reforço da infraestrutura do SIN e à manutenção de níveis adequados de segurança, confiabilidade e desempenho operativo diante da crescente complexidade do sistema.

“As análises do PAR/PEL destacam a ampliação dos limites de intercâmbio entre os subsistemas, com previsão de um aumento de cerca de 20% na capacidade de recebimento da região Sul, a partir do Sudeste/Centro-Oeste, e de aproximadamente 25%, no recebimento do Sudeste/Centro-Oeste, a partir das regiões Norte e Nordeste, por meio da implantação de um conjunto de obras estruturantes que fortalecem a integração do sistema”, comenta Marcio Rea. 

O estudo também organiza, sob enfoques conjuntural e estruturante, a priorização e o acompanhamento de aproximadamente 480 empreendimentos e ações, preparando o SIN para integrar volumes crescentes de geração renovável e enfrentar desafios como o curtailment de fontes eólicas e fotovoltaicas e os impactos da geração distribuída na segurança elétrica da operação, reforçando a necessidade de coordenação entre o ONS, agentes e instituições do setor.

Gestão de excedentes na rede de distribuição

Focado no cenário atual de expansão da geração distribuída, em novembro, o Operador estabeleceu o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição aprovado pela Aneel. O objetivo foi definir antecipadamente os procedimentos que devem ser seguidos pelo Operador e pelos agentes do setor elétrico em situações emergenciais, quando houver indicação de que haverá excedente de geração de energia e não for mais possível reduzir a geração centralizada que está sob a responsabilidade do ONS. As medidas excepcionais, no entanto, só serão tomadas quando as demais as alternativas operacionais da rede básica (como corte de usinas centralizadas ou ajustes em hidrelétricas) já estiverem esgotadas com o objetivo de manter o equilíbrio e a segurança do SIN.

Fonte: ONS

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